[Opinião] Nunca me Esqueças | Lesley Pearse

Tradução: Isabel Alves 
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 432
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892303178

Sinopse
Num dia…
Com um gesto apenas…
A vida de Mary mudou para sempre.

Naquele que seria o dia mais decisivo da sua vida, Mary - filha de humildes pescadores da Cornualha - traçou o seu destino ao roubar um chapéu. 
O seu castigo: a forca. 
A sua única alternativa: recomeçar a vida no outro lado do mundo. 
Dividida entre o sonho de começar de novo e o terror de não sobreviver a tão dura viagem, Mary ruma à Austrália, à época uma colónia de condenados. O novo continente revela-se um enorme desafio onde tudo é desconhecido… como desconhecida é a assombrosa sensação de encontrar o grande amor da sua vida. Apaixonada, Mary vai bater-se pelos seus sonhos sem reservas ou hesitações. E a sua luta ficará para sempre inscrita na História. 
Inspirada por uma excepcional história verídica, Lesley Pearse - a rainha do romance inglês - apresenta-nos Mary Broad e, com ela, faz-nos embarcar numa montanha-russa de emoções únicas e inesquecíveis.
Não contem ler um romance todo bonitinho. Não contem que este romance histórico, baseado em acontecimentos reais, personagens reais vá narrar as coisas que aconteceram de um modo poético.
Não contem viver a leitura deste livro com o coração leve, com alegria, com piadas, passar bem o tempo...

Este é um romance brutal, e as pessoas "mais sensíveis" não vão conseguir ler este livro.
Estão a ver nas notícias, quando dizem algo como: "Aconselha-se às pessoas mais sensíveis a não verem as seguintes imagens" e avisos deste género, o mesmo se aplica a este livro, a esta leitura.
Foi uma leitura tão forte, que apesar de ter lido o livro todo em dia e meio, só não o li num único dia porque tive de parar uma tarde inteira, tentar distrair-me, ver filmes e programas mais leves e tentar tirar a cabeça desta história, e esta história da cabeça...

Eu adoro romances históricos, gosto de livros realistas, brutais, que contam tudo tal como é, tal como aconteceu e não tentem aligeirar as coisas. As coisas são como são. Mas este romance é tão especifico, tão brutal, tão realista, que me fez sentir as dores, sentir a fome, sentir os cheiros, sentir aquelas emoções todas e mexeu comigo, fez com que de noite tivesse pesadelos, fez-me viver tudo como se lá estivesse, e foi horroroso.

Atenção... Foi horroroso o que estas pessoas todas passaram, mas a história, em si, é viciante. Para quem aguentar ler até ao fim, é viciante. É revoltante, é desgastante, é terrorífico, mas é uma história fantástica de alguém que viveu mesmo, das pessoas que suportaram aquilo, de algo que sabemos lá nós se algum dos nossos antepassados não terão passado por tal situação.
Lesley Pearse é mestre na sua escrita, nas suas histórias, nas suas personagens femininas, em contar tudo como deve ser contado. Li Lesley Pearse pela primeira vez este ano e é agora uma das minhas escritoras preferidas.

Tenho a agradecer a Lesley Pearse por me ter apresentado esta personagem história, Mary Broad de nascimento, mas depois conhecida como Mary Bryant (ao lerem o livro vão saber porquê), e ganhei tal afinidade com Mary que quando acabou o livro só me apeteceu chorar... Queria estar com ela, conversar com ela, ser amiga dela. Estou neste momento a estudar tudo o que consigo sobre ela em livros, filmes e na Internet e sinto-me cada vez mais ligada a Mary. O título: "Nunca me Esqueças" é bastante apropriado, nunca na vida me vou esquecer de Mary e da sua história, nunca.
Sinto que li o livro todo quase sem respirar...

No entanto achei a sinopse tremendamente desapropriada! Com uma sinopse destas, como podem ler acima, parece que ela partiu rumo à actual Austrália por vontade própria e faz parecer um romance todo elaborado e romântico, quando ela partiu como prisioneira, como condenada em condições muitas vezes piores que a dos escravos! E esta não é uma história de amor como faz parecer, e de apaixonada pouco tem. Há sentimentos românticos, mas é muito mais complicado do que pura lamechice e de amor esta história pouco tem.
Conhecemos as piores pessoas do mundo, e as pouquíssimas que fazem a vida valer a pena. É uma história brutal com pessoas criminosas, desde roubar simplesmente para comer, aos crimes mais odiosos, misturavam-nos todos, viviam em condições abaixo de desumanas, doenças, fome, maldade, frio, calor, violações, assassínios, encarceramentos, chicotadas, acorrentados, viverem abaixo de animais. Esta história mostra o que acontecia aos prisioneiros de Inglaterra que escapavam à forca, para serem deportados, para trabalharem abaixo de escravos, e nesse caso ou morriam, ou desejavam terem morto na forca.

É disto que esta história se trata e não do que a sinopse dá a entender. Esta é uma história sobre luta, sobrevivência, fazer de tudo para escapar, de injustiças, de infortúnio, de pestilência, e no meio de todo esse inferno encontrar coragem e vontade para viver, vontade para lutar!

Mary é uma mulher fora de série, inteligente, forte, corajosa, altruísta, preocupando-se mais com os outros do que consigo própria, e é para ajudar os outros que encontra vontade de lutar, de viver, a sua coragem, a sua força. A sua vida foi inacreditável. Desta vez eu não tenho capacidades para escrever uma opinião que transmita tudo o que estou a sentir depois de terminar a leitura deste livro, o que esta história significou para mim, ainda mais sabendo-a tão verídica. Nesta história nada acontece como esperamos, como queremos, é imprevisível do princípio ao fim.
Fiquei a saber de muitas coisas da nossa história mundial das quais eu não fazia ideia. E vou querer estudar mais sobre o assunto, pois é muitíssimo interessante! Faz-nos perceber certas coisas da sociedade de antigamente e de hoje em dia...

É incrível até onde pode chegar a maldade humana, mas é incrível como no meio dessa maldade toda existem pessoas que fazem o mundo valer a pena. E ensina, a quem quiser aprender, a darmos valor ao que de bom temos na vida. Desfrutarmos de todos os momentos bons. A termos família. A termos saúde. A termos de comer...

Citações:
"Enquanto respirar, não perco a esperança" Pág. 26 

"(...) interrogando-se por que razão, se eram pessoas endinheiradas e suficientemente importantes para fazem grandes viagens, não tinham um ar mais feliz." - Pág.55 

"Creio que o amor nasce quando duas pessoas estão completamente em sintonia uma com a outra (...) Acho que muitas vezes as pessoas confundem o desejo carnal com amor. São duas coisas muito diferentes." - Pág.106 

"Tinha a impressão de estar presa no inferno na companhia de várias centenas de lunáticos." - Pág.163 
"Não sei se perdoo, o perdão conquista-se (...) Mas por agora vou esquecer." - Pág.241 

"Naquele momento era prisioneira de si própria" - Pág.319 

"O sofrimento é algo que devemos procurar evitar. Seja qual for a idade ou as circunstâncias." - Pág.402 

"Mas, a meu ver, uma das melhores coisas da vida é que nunca se sabe o que nos espera ao virar da esquina." - Pág.403 

"Mas a verdadeira amizade, do tipo mais puro, nasce do amor. Nunca morre, nunca perde o brilho. Continua mesmo para lá da morte." - Pág.424

Mary Broad conquistou-me,  Lesley Pearse conquistou-me, esta foi uma história inesquecível para toda a minha vida.

12 comentários:

  1. Olá,

    Bem depois deste excelente comentário fiquei com vontade de ler e penso que sei quem me pode emprestar (maldita biblioteca da minha zona ).

    Registado até porque não é a primeira vez que vejo elogios aos seus livros, mas tenho que ir preparado :)

    Bjs e boas leituras

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    1. É um livro fantástico para quem tiver estômago para ler, e quem goste de saber vários aspectos menos "bonitos" da nossa história...

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  2. Woow adorei a opinião! Conseguiste dizer todos os sentimentos que tive ao ler este livro e que não consegui traduzir para palavras devido ao turbilhão que ia na minha cabeça! Tanto que nunca cheguei a fazer esta opinião. =/

    Este livro também me ficou marcado na alma e talvez para sempre, pois já lá vão alguns anos que o li emprestado e ainda não esqueci a Mary e tudo o que viveu... e que senti como se o estivesse a viver lá com ela, tal a intensidade do que nos é descrito!

    Também considero Lesley no top das minhas autoras preferidas, apesar de tb apenas ter lido este livro...
    Tenho 5 =o livros dela à minha espera na estante, que sei que vou adorar ler mas que ainda não tiveram a sua vez porque não me tenho sentido "preparada" para me deixar sequestrar para dentro de tramas de tamanha intensidade!
    O mesmo me acontece com os livros da autora Kate Morton, que tb adoro, mas que tb contêm sempre tamanha intensidade e obscuridade nas suas estórias que sinto que preciso estar com um certo estado de espírito para os ler... Aliás, se nunca leste nada dela, aproveito também para te recomendar que acho que vais gostar, pois na minha opinião têm o seu quê de semelhanças.

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    1. Muito obrigada pelo comentário A.! :D
      Nem imaginas como fico contente quando dão apreço ao que escrevo <3

      Não conhecia Kate Morton, vou já investigar! *_*

      Realmente é como dizes, eu estou agora a ler agora o terceiro da Lesley, e com ela não há cá lamechices, é tramas, azares da vida, nunca temos a sensação de "tranquilidade" pois acontecem as desgraças e coisas mais incríveis, é sempre uma leitura inesperada, mas para o ler é preciso ter "espírito", pois é uma leitura bastante intensa. Até agora os três que li dela o foram. Mulheres fortes, independentes, mas que sofrem muito.

      Uma escritora do género da Lesley, mas infelizmente acho que só cá tem um livro traduzido é esta (http://vamosdoarlivrosanossabiblioteca-pt.blogspot.pt/2015/01/edicaoreimpressao-2013-paginas-512.html), esta também foi uma leitura igualmente intensa, algo obscura, cheio de tramas e dramas da vida, do ponto de vista de duas irmãs.

      Quando eu descobrir um livro mais "alegre" dela, digo-te logo ;)
      Mas eu gosto muito de histórias assim, com a realidade da vida, abre-olhos, sinceros, brutos e directos.
      Até eu às vezes gosto de ler coisas leves e "tolas", mas o meu género preferido é mesmo este tipo, Lesley vai fazer sempre parte agora do meu coração. As suas personagens e histórias são fascinantes!

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    2. Não há que agradecer! Não dou elogios de "borla", quando os dou é porque são merecidos. :)

      Olha que bem calha, não é que o "Menina rica, Menina pobre" é uma das minhas aquisições deste mês! ;D
      Eu também gosto destas histórias, aliás são quase sempre aquelas que entram para o meu top de preferidas, mas lá está nem sempre estou com o espírito certo para me deixar levar por elas.

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    3. Olha que então não é coincidência, é destino leres o "Menina rica, Menina pobre" ;)

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  3. Uau, fiquei sem fôlego. Esta é uma autora que já quero ler há algum tempo e ainda não tive oportunidade. Penso que agora não deixarei de o fazer e espero que seja em breve.

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    1. E este é um excelente dela para poderes começar :)
      A minha biblioteca tem 3 livros dela (até eu arranjar pechinchas para conseguir doar para passar a ter mais), podias ver na tua, se tiveres, se tem ;)

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    2. Aqui na terrinha, a Biblioteca é um bocado fora de mão. E a verdade é que ainda não li tudo o que tenho cá em casa. E ainda quero falar no blog de alguns que já li e gosto muito o que me "obriga" a relê-los para poder refrescar a memória e escreve uma opinião mais fundamentada.

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    3. Lol Ainda à pouco tempo atrás reli livros, primeiro porque me apeteceu, depois para realmente ter uma opinião melhor, pois já os tinha lido á muito tempo atarás... Mas há certos que ao reler... Parece que já não é a mesma coisa... :/.
      Parecem mais chatos e infantis...

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    4. É normal, afinal a nossa interpretação do que lemos está directamente relacionado com as nossas vivências e estados de espírito. Se a vida mudou, os anos passaram, é compreensível que a nossa percepção ao reler um livro seja diferente. E nem sempre para melhor.

      Quanto a mim, sou de opinião de que quando um livro é mesmo BOM, posso reler mil vezes e de cada vez irei reparar em detalhes que não tinha reparado ou dedicar especial atenção a uma passagem diferente das anteriores. São o que considero livros intemporais.

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    5. Sim, nisso eu concordo contigo, sem dúvida <3

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