[Desabafos de uma apaixonada por livros] A maior necessidade das bibliotecas municipais e desabafos


Desde que este projecto nasceu, no dia 10 de Setembro de 2014, que todos os dias aprendo mais e mais sobre tudo um pouco relacionado com a literatura, livros, escritores, editoras, blogs literários, as bibliotecas, ....
E todos os dias me dou conta do quanto ainda tenho tanto a aprender! 
Uma das coisas que aprendi foi que as bibliotecas não têm propriamente falta de pessoas que façam doações. Há algumas que sim, precisam desesperadamente de livros. Outras que até tem doadores frequentes e habituais. Mas o maior problema são as doações serem livros já quase no fim da sua vida, muito antigos, alguns com 20 anos ou mais, com defeitos, às vezes já quase desfeitos, que ninguém vai querer requisitar. Muita gente faz da biblioteca um contentor para livros velhos. As bibliotecas, tal como todo o nosso país e arredores também estão a sofrer com a falta de pessoal, e ao doarmos livros as bibliotecas não se limitam a aceitar, meter na prateleira e pronto, já está! Há um sistema que os funcionários das bibliotecas ao receberem os livros têm de seguir. Catalogar, justificar a entrada do livro, numerar, colocar no sitio certo, reparar o livro se for caso disso, inserir no catálogo, ...

Antes havia pessoas só para isso, agora com os cortes de pessoal, em algumas bibliotecas, como em muitos sítios, uma pessoa faz a função de duas ou três.

Claro que com isto não vamos deitar os nossos livros "velhotes" no lixo! Tenho a certeza que existem associação que gostariam de ficar com eles ou que haverá sítios onde os podemos deixar, até mesmo aqueles que já chegaram ao fim da sua vida. Mas para isso terei de investigar mais a fundo, se quem tiver a ler este artigo souber, por favor, diga-me. Seria de grande ajuda!

Este projecto serve exactamente para dar a conhecer estas coisas e ensinar como fazer!

As bibliotecas têm necessidade de receber novidades frequentemente, afinal cada pessoa vai lá, requisita uns quantos livros, devolve, volta a requisitar outros, devolve, ... Passado uns tempos já não tem mais nada para requisitar que já não tenha levado... E tudo estagna... E perde o interesse de lá ir...

Estou a falar não de uma pessoa, não de uma biblioteca, mas de muitas, muitas pessoas e de muitas, muitas bibliotecas.
Estagnadas...

Pessoas a perguntar: "Há novidades?"
A resposta, (algo exagerada da minha parte, mas tipo): "Não" ou "As novidades são aqueles livros do ano 1990 que nos entregaram hoje".
O estado de um dos livros que eu já requisitei.
Quem é que não gosta de chegar à biblioteca e ver livros ainda a brilhar, novidades que estávamos muito curiosos por ler, mas não temos posses para comprar?

Claro que há livros (e refiro-me neste caso aos de literatura) em que os antigos são bons! Desde que estejam em condições, o que quase nunca é o caso, mas há livros antigos bons! Tipo as histórias mais antigas do Nicholas Sparks, por exemplo, o primeiro exemplo que me veio à cabeça e como ele tantos autores e autoras bons! Esses estão sempre na moda e sabemos, há outros que não... Pois uma biblioteca é um fluxo, não um museu, e precisa de novidades.


Depois também há o caso de os livros serem até razoavelmente recentes (menos de 10 anos!), mas como são "vulgares" e correntes a biblioteca dá por si com uns 5/10 exemplares de cada... Por isso é tão importante este meu projecto e que as bibliotecas se disponham a responder às minhas entrevistas para eu expor as necessidades de cada uma, individualmente!


Assinalados, livros que eu doei. Os outros que a biblioteca comprou ou doados.
Também temos os casos nas prateleiras das bibliotecas dos livros de estudo, dicionários, gramáticas do tempo dos nossos país, avós que infelizmente para os estudantes de hoje já não servem, apenas estão lá a ocupar as prateleiras... Algumas bibliotecas já me informaram que aceitam livros de estudo, enciclopédias, dicionários, etc desde que sejam recentes (não mais do que 3 anos).

No entanto aprendi que algumas bibliotecas municipais aceitam TUDO o que seja histórico relacionado com a cidade a que pertence, documentos, fotos, jornais, livros, etc sobre a história da cidade. Património. Aceitam guardar tudo isso para exposições e consultas sobre a história dessa cidade, do antigamente, dos seus cidadãos e tudo o que esteja relacionado. Coisas antigas que vocês encontram no sótão dos vossos avós ou bisavós relacionados com a história da vossa cidade, acontecimentos históricos, jornais com esses acontecimentos, ...
A biblioteca Afonso Lopes Vieira de Leiria, por exemplo, aceita esses documentos.

Voltando ao assunto dos livros correntes, sei que que a minha biblioteca faz é o seguinte: entregam os livros dos quais têm exemplares muito repetidos ou que estejam "estagnados" a instituições, às escolas, prisão escola, e até manda para África. Não é a única.
Outra coisa que algumas fazem é pegarem nos exemplares ainda em condições mas que ou são repetidos ou estão estagnados à muito tempo e fazem "trocas" de livros com os usuários da biblioteca.

Levamos um livro nosso e trocamos por um desses que eles de vez em quando expõe para troca. Assim ficamos com um livro diferente e a biblioteca também. Só tem de estar atentos às datas em que isso acontece. Basta pedirem para receber a newsletter da vossa biblioteca ou se ela tiver, a página de facebook e lá recebem essas notícias e outras relacionadas com actividades das vossas bibliotecas (eventos, apresentações de livros com o autor, actividades divertidas, feiras, festas, etc...)
Muito fixe.
E se de repente a sua Biblioteca se transformasse num local onde é possível encontrar e ficar com o livro que sempre procurou, por troca de outro que não precisa?
Há pessoas que compram livros acabados de sair, lêem e mal acabam a leitura doam logo à biblioteca, que fica muito feliz com a doação e as pessoas que têm apenas as bibliotecas como meio para poderem ler ainda mais contentes ficam!
Eu não sabia disto, foram bibliotecárias que me disseram e fiquei muito surpreendida.


Claro que nem toda a gente pensa ou faria assim, mas eu, por exemplo se compro um livro novo e, ou não gostei ou não penso voltar a ler, dou à biblioteca pois pode fazer a diferença na vida ou no dia de alguém. E quem fizer o mesmo que eu, esse livro que doaram pode fazer a diferença na minha vida, tal como aconteceu e foi o que me inspirou a criar este blog e projecto.
Não é preciso comprar livros de propósito para doar à biblioteca, basta doar o que está a ganhar  na estante,  no sótão, na garagem, os que temos para venda à mais de um ano, os que temos para troca mas ninguém quer...

Claro que  quem prefira ir vendendo, ir trocando... Eu também vou vendendo (mas só em alturas de necessidade), de resto prefiro ir trocando, mas há aqueles especiais, aqueles que eu sinto que podem fazer a diferença, esses eu guardo e dou à biblioteca, para que possa fazer a diferença na vida de alguém.
Quando até são livros bons, recentes e bastante baratos, pois agora existem excelentes promoções se soubermos onde procurar, e se nesse mês eu me poder dar ao luxo disso, até compro de propósito para doar à biblioteca. Principalmente se for a comprar a pessoas que já conheço, tal como é o caso dos livros recentes em segunda mão a menos de metade do preço. Assim estou a ajudar dois lados.

Por exemplo, livros que eu li, gostei tanto que vão ficar para sempre na minha estante, para ler e reler e quando vejo a um preço excelente, já que eu gostei tanto se puder, compro-o para a biblioteca ter um exemplar do livro (ou livros) de que gostei tanto. Ou faço trocas de livros meus que acho que não têm verdadeira utilidade por livros que tenho, li e adorei que quero doar à biblioteca.
Eu cá me vou orientando e improvisando. Até já cheguei a trocar roupas e outras coisas que não uso por livros para a minha biblioteca.

Pois nunca me vou esquecer das dificuldades que passo e já passei em que mal tinha para comer, quanto mais para comprar livros. E o que me ajudava era a biblioteca, saber que ali iria sempre encontrar um livro para ler. Há quem viva sem livros, eu não.



Por isso é tão importante, nem que seja doar apenas um livro uma vez na vida, nunca se sabe a diferença que esse livro um dia vai fazer.

Há pessoas que me dizem: "Não me consigo separar dos meus livros, nem que não os leia gosto deles ali", ou "prefiro mesmo vender ou trocar"...
Antes de ter havido um livro com um carimbo da biblioteca a dizer "doado por..." que me auxiliou em momentos de grande sofrimento, eu também pensava assim. Alguma vez na minha vida venderia um livro meu? Ou trocava? Ou emprestava sequer? Nem que nunca o tivesse lido ou fosse ler, não. Eu queria-o comigo. Aos montes!
E se a pessoa que doou esse livro que me ajudou tanto tivesse pensado como eu? Como estaria eu agora?

Por isso, compreendo e respeito essas opiniões. Cada um sabe de si. É há pessoas que mesmo passando por dificuldades e indo buscar livros à biblioteca só até precisar, depois volta a não meter lá os pés podem nunca sentir a vontade de retribuir e doar. Eu já nasci com uma veia solidária, mesmo depois de todo o mal que já me fizeram continua, e cada vez mais forte. Ajudar os outros, pessoas ou animais faz-me feliz. Antes custava-me um pouco entregar os meus livros, livros bons, custava separar-me deles, mas depois de os ver expostos e as pessoas a pegarem neles é que nem penso mais nisso! Fico tão feliz! E custa cada vez menos e aliás, nem sei se passado já um ano em que comecei este blog/projecto e fiz várias doações de livros à minha biblioteca posso continuar a dizer que me custe. Aliás sempre que tenho livros para doar fico super entusiasmada. E também há outra coisa: Sempre que eu quiser "matar saudades" desses livros, basta requisita-los! Podem ver doações minhas aqui.


Há quem tenha muitos amigos, família, filhos, amor, tudo com que se entreter! Pode faltar a essas pessoas muito, mas essas coisas não lhes falta. Há outras pessoas que têm os livros e pouco mais...

Eu quase não tenho amigos, os poucos que acho que tenho estão longe e pouco falamos, os meus pais estão no estrangeiro, tenho um par de avós em Lisboa, 3 pares de tios (um deles no mesmo sitio que os meus pais) e assim fica completa a minha família directa. Vivo sozinha numa cidade onde não conheço quase ninguém, não tenho aqui família, nem nunca cá tinha estado antes de a escolher para viver, de amores nem vamos falar e a maior companhia que tenho na minha vida são os livros e os meus gatinhos, Nemo e Castiel.

Nemo
Castiel
Pode haver pessoas a achar isto patético, uma existência patética.... Talvez...

Mas se formos a ver bem o que não falta por ai são pessoas realmente patéticas... Más... Egoístas.... Gananciosas... Invejosas... Cruéis...

Eu pelo menos sou apenas uma solitária, anti-social, triste a maior parte do tempo, mas com muito sentido de humor, com mais problemas de saúde do que seria suposto com  a minha idade e que apesar de todo o mal que  me fizeram na vida (e só eu sei o quanto) continuo a ajudar as pessoas e a pensar em coisas que possa fazer para ajudar as outras pessoas que passam pelo mesmo que eu ou pior...

Se sou patética por isso, deixa ser... Sou feliz na minha maneira infeliz de ser...



Resumindo, se quem tiver tido paciência para ler este texto souber de associações, alfarrabistas, seja o que for que aceitem livros já no final da sua vida ou muito antigos, por favor, informem-me.


Se alguém souber de alguma biblioteca que gostasse de ser divulgada, responder à minha entrevista (escrita em word e enviada por email), seja biblioteca municipal, de lares de 3a idade, de prisões, de escolas, seja qual for aberta ao público, por favor, que entrem em contacto comigo, terei todo o gosto em ajudar no que for preciso e dar a conhecer as suas necessidades.

2 comentários:

  1. Como alguém que trabalhou em bibliotecas, devo dizer que gostei muito deste artigo. Tanto que resolvi partilhá-lo com ex-colegas. Talvez elas ajudem a espalhar a tua mensagem.

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    Respostas
    1. Muito obrigada pelas palavras, partilha e simpatia Joel-G-Gomes :)
      Honestamente pensei que ninguém fosse ler, ou se ficasse só pelo inicio. É raro o pessoal gostar de posts grandes, gostam mais dos breves, fáceis de ler e algo fúteis. Ainda mais ler e - comentar -, o que é das coisas que mais aprecio sinceramente mas pouca gente faz :/
      Obrigada :)

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