[Vamos ler um livro? - Opinião] O Romance de Tristão e Isolda | Joseph Bédier | Sistema Solar

«A história de Tristão e Isolda – os estranhos imortais do amor que constroem a sua tragédia sob as fatalidades de um sentimento imposto por artes da magia céltica, a paixão contra a qual os costumes e as leis são impotentes – mostrava-se como alternativa às sublimes lentidões de Wagner, e veloz, e empolgante, e obediente a todo o saber que faz a eficiência dos contos repetidos pela tradição oral. A lenda de Tristão e Isolda chegava ao êxito editorial e era confirmada no amor-símbolo, na sua intensidade inultrapassável, a que El-Rei Dom Dinis ousou ainda assim em versos desafiar: “o mui namorado Tristan sey ben que non amou Iseu quant’eu vos amo.”
[…]
Joseph Bédier [1864-1938] tinha sabido seduzir o grande público com uma história de ingenuidade selvagem, com uma prosa que evocava ao leitor francês a tradição de contar que ele conhecia em Perrault. E em 1938, quando uma inesperada e fulminante congestão cerebral o atingiu no seu retiro de Grand-Serre, no Drôme, soube-se pelos jornais que tinha morrido… aquele autor… que escrevia coisas importantes sobre a Idade Média, sem dúvida, mas era o renovador do romance de Tristão e Isolda que já festejava a sua centésima edição.» [Aníbal Fernandes]
Este é daqueles livros que tenho pena de já ter visto o filme antes de ler o livro. De facto, pensei que, como acontece na maior parte dos casos, o livro fosse diferente do filme em muitos aspectos, mas neste caso não, o filme é mesmo muito fiel ao livro, mas apreciei muito a leitura de qualquer das formas.

Na introdução temos a história do autor, que é muito rica e interessante. E depois começa a história de Tristão e Isolda...

Escrito de uma forma muito diferente à que eu estou acostumada a ler, está escrita pelo ponto de vista de  um bardo(deduzo eu), que nos conta a história como os bardos ou os contadores de história os faziam em tempos já muito idos:
"Senhores, gostaríeis de ouvir um belo conto de amor e morte? É de Tristão e Isolda a rainha. Escutai como em grande alegria e grande dor se amaram, e num mesmo dia morreram, ele por ela, ela por ele."
Fez-me lembrar até, em certa parte, a forma como está escrito o livro Romeu e Julieta, de Shakespeare. A própria história, dramática e da forma como decorre e termina me faz lembrar em certas partes essa história.

Adoro estas histórias passadas nestas épocas, os costumes, as falas, as aventuras, os códigos de honra, enganos, desenganos, mal-entendidos, ajustes de contas, drama e... romance... Mesmo já tendo visto o filme, que está muito fiel ao livro, gostei muito de ler as experiências, sentimentos,  pensamentos e tudo mais que apenas um livro nos oferece. A única pena foi mesmo eu já saber como e quando as coisas iriam acontecer, pois vi o filme à pouco tempo, no entanto, quando releio os livros é mesmo isso que acontece, e fiquei novamente encantada com esta história, apesar de tão dramática (mesmo como eu gosto), e como sempre, houve certas coisas no livro que não aparecem no filme e eu gostei de ficar a saber.

O próprio livro é um livro robusto, de qualidade, com boas letras, cheia mesmo a livro, irrepreensivelmente traduzido e muito bonito.
Recomendo para quem aprecia romances deste género, históricos, místicos, dramáticos, ...

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