Dia da Mãe - A história e origem

O dia da mãe, como o conhecemos, é essencialmente graças a esta senhora:
Anna M. Jarvis (1864-1948).

Foi uma professora universitária de nacionalidade Norte Americana, que perdeu a sua mãe (Ann Jarvis) em 1905 e entrou em profunda depressão. Preocupadas com tanto sofrimento, algumas amigas tiveram a ideia de perpetuar a memória da mãe de Anna com uma festa. Mas Anna queria que a homenagem fosse estendida a todas as mães.

A história do Dia da Mãe

As primeiras comemorações do Dia da Mãe remontam à Grécia antiga, cumprindo o seu papel de cultura seminal que serviu de base à civilização ocidental. Nesta época, os seus contemporâneos prestavam homenagem a Rea, irmã e esposa de Crono e mãe de Zeus, Poseidón e Hades. Ainda assim, e segundo Homero, Rea simbolizava a mãe dos deuses e não uma mãe universal, como poderia ser o papel de Cibeles.

De facto, foi à divindade Cibeles que honraram os romanos que, por sua vez, adquiriram os costumes dos gregos. Estes nomearam a comemoração deste dia como a Hilária e a dataram de 15 de março, que era quando os peregrinos se disponibilizavam a realizar oferendas no templo da Deusa da Mãe Terra.

Durante o século XVII, a Inglaterra celebrava no 4º Domingo da Quaresma (os 40 dias antes da Páscoa) um dia chamado “O Domingo da Mãe”, dedicado a todas as mães inglesas. Nesta época, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os patrões.

Assim, no Domingo da Mãe, os criados tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe. A primeira vez que se falou realmente num dia especial só para mães foi nos Estados Unidos em 1872.

Julia Ward Howe na história do Dia da Mãe
Apesar de um dia que se estende sob formas distintas pelos séculos, o moderno Dia da Mãe remonta às acções de feministas norte-americanas no final do século XIX. Vivia-se então a ascensão do movimento feminista, que exigia o direito ao voto para todas as mulheres e melhores condições de trabalho, nas principais cidades norte-americanas. Várias mulheres organizaram então clubes de mães para, em conjunto, fornecerem cuidados de saúde entre si e aos seus filhos, bem como melhores condições de saneamento. As campanhas de consciencialização tornaram-se parte do dia-a-dia de milhares de mulheres, entre as quais Julia Ward Howe.
Julia Ward Howe (Nova Iorque, 27 de maio de 1819 – Portsmouth, 17 de Outubro de 1910) foi uma proeminente abolicionista, activista social, escritora, sufragista, pacifista e poetisa norte-americana. A sua obra mais famosa, pela qual ficou amplamente conhecida a partir da Guerra de Secessão, foi o Hino de Batalha da República.

A primeira sugestão de se instaurar um dia da mãe nos tempos modernos partiu precisamente de Howe em 1872, encarando-o como um dia dedicado ao amor, mas também à paz. Inclusive, chegou até a escrever uma "Proclamação do Dia da Mãe". Neste pequeno texto político, a autora declarou: "Levantem-se, então, mulheres deste dia! Que se levantem todas as mulheres que têm coração, independente do nosso baptismo seja de água ou de medos!". E, curiosamente, nesse mesmo texto defendeu a emancipação das mulheres pelas próprias mulheres, afirmando que "não teremos as grandes questões decididas por outros".

Apesar do protagonismo de Howe e das suas ideias terem sido ouvidas por milhares de mulheres, as suas palavras foram-se perdendo com o tempo e a criação de um dia da mãe não avançou, até que Anna Jarvis e a sua mãe, Ann Jarvis, provenientes de Filadélfia, EUA, ressuscitaram-na no início do século XX. Nos anos da Guerra da Secessão, a mãe de Anna Jarvis dedicou-se à fundação de clubes de mães para que juntas, sob um espírito de amizade e boa-vontade, pudessem ajudar no tratamento de soldados feridos no campo de batalha. Um dos compromissos desses clubes era o de que as mães não deixariam os conflitos entre a União e a Confederação dividi-las, independentemente do lado que cada uma tomasse.

Depois da guerra, Ann Jarvis (a mãe) dedicou-se a servir como mediadora entre famílias que se tinham dividido por causa do conflito que opôs o norte ao sul norte-americanos, culminando na criação de um "Dia da Amizade Maternal", em 1868. 
Ann Jarvis, a mãe de Anne Jarvis

Nas décadas seguintes, consagrou a sua vida a dar aulas, até falecer em 1905. Anos depois da morte da sua mãe, Anna Jarvis relembrou ter ouvido a sua mãe falar num evento da escola sobre a necessidade de um dia da mãe: "Espero e rezo para que alguém, em algum momento, funde um dia para as mães, comemorando os seus incansáveis serviços à Humanidade em todos os campos da vida. As mães têm direito a isso", então prometeu continuar o sonho da sua mãe: criar um dia das mães.

Passou a escrever longas cartas a políticos, empresários, comerciantes e religiosos sugerindo a criação de um dia em homenagem às mães.

O evento mais importante da sua campanha deu-se a 10 de Maio de 1907, quando foi celebrado o primeiro Dia da Mãe, na igreja de Grafton, reunindo família e amigos. Nessa ocasião, Anna Jarvis enviou para a igreja 500 cravos brancos, que deviam ser usados por todos, e que simbolizavam as virtudes da maternidade.
Ao longo dos anos enviou mais de 10.000 cravos para a igreja de Grafton – encarnados para as mães ainda vivas e brancos para as já falecidas – e que são hoje considerados mundialmente com símbolos de pureza, força e resistência das mães.

Não satisfeita com a proeza, avançou com a redacção de uma petição e colecta de assinaturas. Ao mesmo tempo, escreveu inúmeras cartas a presidentes norte-americanos, entre os quais William Taft e Theodore Roosevelt, a pedir aos chefes de Estado que instaurassem esse dia. 

A primeira celebração oficial deu-se em 26 de Abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia da Mãe ao calendário de datas comemorativas daquele estado.

Rapidamente outros estados norte-americanos aderiram à comemoração, ao ponto de, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, ter unificado a sua celebração em todos os estados estabelecendo que o Dia Nacional da Mãe deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão dessa data foi da própria Anna Jarvis em "Joint Resolution Designating the Second Sunday in May as Mother's Day".

Alcançado o objectivo no seu país, Anna não baixou os braços e criou a Associação Internacional do Dia da Mãe para persuadir outros Estados a caminharem na mesma direcção. 

Em pouco tempo, mais de 40 países adoptaram o mesmo costume apesar de cada um escolher diferentes datas ao longo do ano para homenagear aquela que nos põe no mundo.

Hoje em dia, celebra-se o Dia da Mãe com pouco conhecimento de como tudo começou. No entanto, podemos identificar-nos com o respeito, o amor e a honra demonstrados por Anna Jarvis e das restantes mulheres e mães que lutaram para que este dia e outros fossem possíveis...

O Dia da Mãe em Portugal
Sendo Portugal um país de tradição católica, o Dia da Mãe não era, no início, celebrado em maio, mas antes a 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do nosso país.
Porém, as aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos – Lúcia, Jacinta e Francisco – na Cova da Iria a 13 de maio de 1917 deram maior simbolismo ao mês de maio, que passou a ser conhecido como o mês dedicado a Santa Maria, mãe de Jesus Cristo.

As autoridades portuguesas decidiram nesse momento que o Dia da Mãe deixava de estar ligado a Nossa Senhora da Conceição e passava a homenagear Nossa Senhora de Fátima.
Como as aparições ocorreram a 13 de maio, ficou estabelecido que o Dia da Mãe em Portugal seria celebrado no primeiro domingo do mês para não entrar em conflito com as celebrações em Fátima.

Hoje, é Dia da Mãe e recordar a História da conquista deste dia é também homenagear todas as mães. As que vieram e as que partiram, as que ainda se encontram e as que virão. É também um dia de luta das mulheres pelo reconhecimento que merecem pelos distintos papéis e sacrifícios que desempenham na nossa vida colectiva. 

Feliz DIA DA MÃE, mães de todo o mundo!
Fontes do texto:

4 comentários:

  1. Que bonita historia ,não a conhecia gostei muito.

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    1. Gostei muito de saber que foi graças às sufragistas mais esta conquista! :)
      E também sobre Rea, e sobre a "Deusa Mãe Terra", tal como os livros que líamos sobre a "Deusa Mãe" e a Távola redonda, lembras-te? :)

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  2. Respostas
    1. Até fazer a investigação para a criação deste post, não fazia ideia nada disto! :O

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